Desdobramentos da Crise e conceito de ineficiência.

Hoje, como faço todos os dias, acompanho o noticiário nacional e internacional sobre economia, mais particularmente, sobre os desdobramentos da crise financeira que se abateu no mundo desenvolvido.

Ontem, no Senado Americano, as três maiores montadoras de automóveis de lá, a Ford, GM e Chrysler participaram de audiência para expor suas necessidades financeiras mais prementes para não afundarem de vez em meio ao maremoto que começa a se abater no mundo real com muita força.

Após falarem das dificuldades das empresas (todas elas) e exporem seu pedido de 25 bilhões de dólares para salvá-las (e seus mais de 3 milhões de empregos diretos e indiretos), escutaram, por parte de vários e vários Congressistas, inúmeras acusações de incompetência, má gestão, etc, etc. Muitos se postaram contra a oferta de ajuda às montadoras, afirmando que o dinheiro público dos contribuintes americanos não estava lá para salvar empresas incompetentes.

Eu pensei, até hoje, que memória curta fosse um problema só dos brasileiros (que não lembram em quem votaram nas últimas eleições ou coisas do gênero), mas estava completamente enganado. Esses mesmos Congressistas aprovaram, não têm um mês ainda, uma ajuda para os bancos de mais de um trilhão de dólares!! Das duas uma, ou todos perderam a memória ou o conceito de incompetência mudou completamente. Talvez incompetência agora seja pedir "pouco" dinheiro ao governo, já que a soma doada aos bancos foi infinitamente maior.

Não estou aqui defendendo setor A ou B, estou apenas constatando mais um absurdo que se faz em defesa do sistema financeiro, o mesmo que causou toda a crise que estamos vendo agora. 

Nós aqui também temos algo similar. Nossos bancos, ao contrário dos de lá, estão numa situação financeira excelente (fruto das gigantescas taxas de juros que cobram do brasileiro), mas mesmo assim já receberam o "afago" do Governo, com alguns bilhões de reais.

Algumas pessoas afirmam que esse tipo de ajuda deveria passar, não só pelo Governo ou pelo Congresso, mas deveria ser alvo de um plebiscito popular. Caberia a sociedade dizer, através do voto, se os recursos públicos deveriam, ou não, ser entregues a determinados setores em momentos de crise ou dificuldades isoladas.

E você, o que acha dessa sugestão? Opine!!

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