Qual transporte queremos?

A imagem acima não é de um trem no Brasil, mas se as coisas não mudarem...

Brincadeiras de lado, nesses últimos tempos de crise, muitos setores da economia estão recorrendo ao Governo para fecharem suas contas, entre eles o setor automobilístico. Estranho, pois mesmo nesse momento, as vendas estão 20% superiores ao mesmo período do ano passado, que foi o melhor ano da indústria até então.

O pior de tudo isso é o Governo sinalizar com mais recursos para o setor (R$ 2 bilhões), mesmo depois do lançamento neste ano de um plano de incentivo a indústria, onde mais da metado dos R$ 6 bilhões serão destinados à indústria automobilística. Como o setor enfrenta uma forte crise nos países desenvolvidos, parece que escolheram o Brasil para aliviar seus lucros, passando todo o custo para o brasileiro pagar.

Então temos o seguinte: o setor bancário e o setor automobilístico nacional apresentam a vários anos consecutivos récordes atrás de récordes de lucratividade, não repassam nem uma ínfima parcela para os consumidores brasileiros (seja em termos de preços menores ou melhores serviços e produtos) e quando o crescimento nas suas margens de lucro começam a reduzir, batem as portas do Governo pedindo ajuda!! Ajuda pra quem???????

Enquanto isso, o transporte público, que a mais de dez anos vem sofrendo forte retração na demanda, aumento dos custos com combustíveis, concorrência com transporte ilegal de todas as formas, não recebe sequer o setor para buscar alternativas viáveis para superar a crise.

Enquanto as cidades estão em vias de pararem em função do excesso de veículos nas ruas, cuja solução mais premente passa necessariamente pelo transporte público, o Governo sinaliza para a manutenção do financiamento de veículos particulares, aumentando os congestionamentos, poluição, além dos gastos com energia, hospitais, entre outros.

Não que o acesso ao consumo deva ser dificultado, mas porque nós no Brasil sofremos o mal do culto ao carro. Basta alguém comprar um veículo que ele passa a se tornar quase um refém, para onde quer que vá, sempre usa o carro. Usar outro meio de transporte passa a ser uma blasfêmia. Usar ônibus, bicicleta ou mesmo andar a pé passam a ser totalmente desprezados quando o brasileiro (não todos logicamente) compra um carro. 

Enquanto pensarmos assim, aceitaremos muitas outras aberrações nesse país.

Obs.: Antes que alguém fale alguma coisa, eu uso bicicleta e também ando a pé para chegar ao trabalho. O carro fica na garagem!


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