A quem deve servir o Estado?

Hoje retomo o debate sobre o ambiente econômico contemporâneo. Estamos todos diante de uma crise econômica que continua a fazer vítimas por tudo o mundo. Dados divulgados hoje mostram que o ritmo de crescimento econômico reduziu-se para níveis de 1992 nos Estados Unidos. Também na Zona do Euro, China, Japão, Rússia e Inglaterra os sinais de recessão estão a cada dia mais evidentes.

Em todos esses países, o Estado tem tomado medidas duras para minimizar os efeitos dessa crise na economia. Os Bancos Centrais reduziram suas taxas de juros, os Governos injetaram bilhões e bilhões de dólares e euros na economia, visando elevar a demanda agregada e os investimentos, na esperança de evitar, sobretudo, o crescimento do desemprego.

Aqui quero destacar que essas ações tomadas por vários governos no mundo contradizem frontalmente os pilares dos argumentos até então dominante e seguido por muitos desses mesmos países: o neoliberalismo. Segundo esse preceito, o Estado não deve intervir no mercado em hipótese alguma. Em momentos de desequilíbrios, é o próprio mercado que deve encontrar seu novo equilíbrio. Muitos dos que hoje clamam por uma "ajuda" do Estado, ainda ontem afirmavam que todos os países deveriam adotar o "Estado Mínimo" para superar suas dificuldades. Como as coisas mudam...

Pois bem, deixando esse pequeno detalhe de lado, ficamos todos nos perguntando agora: a quem deve servir o Estado? O Estado deve servir a sociedade! Diria boa parte daqueles que se propusessem a responder. Mas fica a pergunta ainda mais vital: Quem é a sociedade? Se estamos falando das pessoas, cada uma delas têm suas prioridades, suas demandas específicas. Veja por exemplo, o caso de uma empregada doméstica. A prioridade dela é ter uma melhoria na sua qualidade de vida, o que só é possível com aumento da renda. Por outro lado, a "patroa" não está disposta a pagar um salário maior, tendo em vista que pagar maior salário reduz seus recursos, ou seja, vai reduzir sua qualidade de vida. Então temos uma questão conflituosa: Cada classe social tem suas prioridades, e que em muitos casos divergem das demais classes!

Diante desse quadro no qual cada classe social tem suas próprias demandas, e que na maioria das vezes divergem, entrando em conflito direto com as demandas de outras classes, determinar para quem deve servir o Estado termina por ser uma questão emimentemente de classe. A classe que estiver no poder vai determinar os caminhos do Estado!

Mas e você, concorda com minha posição?

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