Transporte Público no Brasil: serviço que ninguém quer?



Falar em transporte público no Brasil faz qualquer pessoa "virar o rosto", pois ninguém gosta do serviço. Por mais que se faça para melhorar a qualidade desse serviço público essencial, ainda assim a grande maioria da população prefere não utilizá-lo ou, no máximo, utiliza por não ter outra opção. As razões são muitas, mas será que é isso mesmo ou existe algo por traz de tamanha rejeição.

Transporte Público é um serviço público essencial, pois viabiliza o direito de ir e vir da população, independente se a pessoa possui ou não transporte privado. Isto é, é um serviço que está a disposição da sociedade.


Entretanto, no Brasil o ônibus é utilizado somente pelos mais pobres. A classe média não utiliza o transporte público por identificá-lo como serviço de "pobre", e não como um serviço público. Dessa condição decorre que pouca atenção é dada ao serviço pelos governantes. A melhoria da qualidade do serviço não faz parte das prioridades dos governos, dado que é um serviço  para os pobres, e no Brasil, historicamente, os pobres não têm vez.

O Brasil já viu esse filme. No momento em que a educação pública foi deixada de lado pela classe média e sendo ocupada quase que exclusivamente pelos mais pobres, a qualidade do serviço cai significativamente, especialmente o ensinos básicos e o médio. Ao contrário do ensino superior, que ainda mantém a qualidade por ser frequentada também pela classe média.

Portanto, o serviço de transporte público é um serviço desprezado pela classe média e pelos governantes, que só vêem o transporte privado para satisfazer suas necessidades de locomoção no meio urbano. As consequências todos nós sabemos, é o aumento dos congestionamentos, desperdício energético, aumento da poluição, crescimento no número de acidentes e dos custos hospitalares com traumas provados por acidentes, entre outras externalidades negativas da opção pelo uso do transporte privado.

Em outros países, como os europeus e asiáticos, o transporte público é prioridade para os governos, mas sobretudo para a sociedade. No Brasil alguns movimentos de priorização do transporte público foram tomados, como é o caso de Curitiba/PR, que se tornou modelo para vários países do mundo, seja nas Américas e mesmo na Europa. Ora, se temos um modelo de sucesso nesse  setor, por que ainda estamos presos ao transporte privado. Não se trata de uma dicotomia carro x ônibus, mas no uso eficiente dos recursos da sociedade.

A opção por um ou pelo outro tipo de transporte é de cada um, mas como os governos entendem que a prioridade deve ser dada aos grandes oligopólios da indústria automobilística, o serviço de transporte público continuará sendo um serviço que ninguém quer.

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