A taxa SELIC afeta você?


Na semana passada ocorreu  a primeira reunião do Comitê de Política Monetária - COPOM, do Banco Central do Brasil do governo da Presidenta Dilma. A expectativa de vários segmentos da sociedade, em particular do mercado financeiro, era por uma elevação da taxa básica de juros da economia, a taxa SELIC, que de fato aconteceu. Desde o dia 19 de janeiro, a taxa de juros básica da economia passou a ser 11,25% ao ano.

Analisando a taxa SELIC, do ponto de vista do consumidor, do cidadão comum, quais os impactos imediatos na vida cotidiana das pessoas? Não pretendo aqui falar se essa taxa é elevada ou não, se é “justa” ou não, nem mesmo se políticamente é boa ou ruim, ou mesmo se o sinal emitido para os “operadores” do mercado financeiro é positivo ou não. Vou me ater especificamente na relação entre a taxa SELIC e você, leitor cidadão.

A taxa SELIC passou de 10,75% para 11,25% no último dia 19/01, ou seja, uma elevação 0,5% para uma taxa  de juros anual. A intenção da elevação tem como propósito controlar o aumento inflação (ou a expectativa de aumento). Por outro lado, termina afetando a vida do cidadão, pois, na ponta, eleva as taxas de juros do mercado como um todo.

O site do Banco Central disponibiliza uma pesquisa das taxas de juros bancárias cobradas ao cidadão. Observando os juros do cheque especial, por exemplo, percebe-se uma grande variação das taxas mensais cobradas ao cidadão comum, que variam de 1,62% (a mais baixa) e absurdos 9,91% como a taxa mais elevada. Ora, não é preciso ser doutor em economia para perceber que a taxa SELIC passa longe de ser a base para qualquer cálculo desses juros. Enquanto a SELIC é uma taxa ANUAL, essas aqui apresentadas são taxas MENSAIS de juros, cuja média ultrapassa perfeitamente os 100% ao ano e se aproximam da própria SELIC (que é anual!!!!)

Essa é a conta que importa para o cidadão. Isto é, enquanto a mídia, e a sociedade de uma forma geral, gasta tempo e energia discutindo as elevações ou não de meio ponto percentual da taxa SELIC, os bancos comerciais trabalham na casa das centenas de pontos percentuais sobre as operações realizadas com o cidadão brasileiro.

O debate sobre os juros da política econômica brasileira são pertinentes e fundamentais, mas não podemos permitir que sirvam como uma “cortina de fumaça” sobre os verdadeiros abusos que o sistema financeiro nacional impõe ao povo brasileiro.

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