Processo de Industrialização: do capitalismo originário ao atrasado




RESUMO DO TEXTO

Livro: Processo de Industrialização: do capitalismo originário ao atrasado
Autor: Alonso Barbosa de Oliveira

Introdução

No imediato pós-guerra, a teoria econômica convencional voltou a dar atenção aos problemas do desenvolvimento, em especial aos graves problemas dos países subdesenvolvidos.
O autor faz uma crítica os textos de Rostow e Lewis como eixos teóricos que articulam a problemática do desenvolvimento.
O processo de desenvolvimento econômico aparece como a passagem da maturidade industrial, onde a poupança e o investimento, ocorre apenas para cobrir a depreciação. Ou seja, existe um limite ao nível da produção per capita.
A maturidade industrial é a história prolongada e flutuante do progresso econômico sustentado. O capital total per capita aumenta a medida que a economia amadurece. Entre a sociedade tradicional e a maturidade industrial configuram-se dois momentos: as condições prévias para a decolagem e a decolagem propriamente dita.
Nas condições prévias a agricultura deve passar por transformações, gerando para o setor moderno grandes quantidades de alimentos, amplos mercados e grandes ofertas de fundos financeiros. Além disso, ressalta-se o papel do governo e das transformações de ordem não econômica, consistentes na conveniência de uma nova elite social, uma não direção à qual deve-se conceder um amplo campo de ação para dar início à edificação de uma sociedade industrial moderna.
Tendo tais pré-requisitos instalados, a sociedade está preparada para ingressar na revolução industrial, com as seguintes características:
  1. Um aumento na taxa de inversão produtiva de 5% para mais de 10% das renda nacional (ou produto nacional líquido);
  2. O desenvolvimento de um ou mais setores essencialmente manufatureiros que tenha alta taxa de crescimento;
  3. A existência, ou a rápida criação, de estrutura política, social e institucional que aproveite os estímulos da expansão no setor moderno.
    Rostow e Lewis, segundo o autor, estabelecem o desenvolvimento econômico como um processo eminentemente técnico, e daí surge sua dificuldade enquanto teoria do desenvolvimento. Tal teoria desconsidera as conexões rigorosas entre os aspectos econômicos e os sociais. Ao não conceber o capital como uma relação social, não apreendem a íntima conexão entre o movimento de acumulação de capital e a formação de uma classe capaz de promover ou servir de base às transformações sociais e políticas, necessárias ao crescimento auto-sustentado.
    Marx, ao contrário, ao conceber o capital como uma relação social, pôde indicar como faces de um mesmo processo a acumulação do capital e o surgimento de uma burguesia mercantil, cuja ação é essencial para a passagem de uma sociedade tradicional à sociedade moderna.
    A teoria do desenvolvimento dos autores não levam em conta a própria história do capitalismo em âmbito mundial, e assim abstrair determinante essencial dos distritos processos de desenvolvimento nacional. Em outras palavras, essa abstração indevida impede os modelos de contemplar, por exemplo, como os processos de desenvolvimento ou de industrialização dos países europeus do século XIX na fase concorrencial do capitalismo em âmbito mundial, possuem dinâmica distinta das industrializações das economias Latino Americanas do século XX, na etapa monopolista do capitalismo.
    Sociedades escravocratas e sociedades feudais reagem de diferentes formas sob o impacto do desenvolvimento do capitalismo, o que não pode ser apreendido pelos modelos de desenvolvimento.

Cap 3 - Gênese do capitalismo - as mediações históricas

    A análise de Marx sobre a formação do capitalismo não fixa leis gerais de processo de gênese do capitalismo, mas retém os momentos lógicos desse processo tais como a necessidade de desenvolvimento prévio do capital mercantil, da troca, dos mercados, da divisão social do trabalho, da especialização da produção, a formação do mercado de trabalho a partir da violência da expropriação, os limites e debilidades do processo de acumulação na ausência das forças produtivas especificamente capitalistas, a consequente dominação do capital mercantil sobre a esfera produtiva, a idéia da industrialização como gestação de forças produtivas capitalistas, o papel essencial do departamento produtor de meios de produção para superar as barreiras externas à acumulação, o que promove a autodeterminação do capital, etc.
    A formação do capitalismo, portanto, está imersa no processo histórico, e não em qualquer modelo a ser seguido de desenvolvimento.

Mediações históricas - o passado nacional
    A questão das circunstâncias históricas foi enfrentado pelos clássicos do marxismo na abordagem da revolução burguesa, ou seja, da dimensão política dos processos de constituição do capitalismo.
    O autor traz a análise de Lenin e Trotsky, estabelecendo que na Rússia já se encontravam os elementos do capitalismo, de acordo, com farta documentação empírica. Por exemplo, as formas tradicionais de produção agrícola já estavam sob o domínio do capital, a divisão social do trabalho, a especialização da produção, a diferenciação da sociedade entre capitalistas e proletariados, e etc.
    Lênin, em crítica aos autores populistas, afirma que a questão do início do capitalismo não está na velocidade com que ocorre, mas no modo com que ocorre e o ponto de partida do início do capitalismo. Ou seja, a abordagem deve sempre levar em conta qual estrutura econômica, qual o regime de produção que precede o capitalismo em cada país.

Mediações históricas: as etapas do capitalismo
    O debate existente na Rússia pré-revolução de 1905 indicava claramente que, tal como na Europa Ocidental, a partir de determinado momento, o avanço do capitalismo entrava em choque com a superestrutura absolutista, e que a ruptura com a antiga ordem era uma tarefa histórica da burguesia. Assim, a evolução do capitalismo implicaria a recorrência de certos fenômenos sociais, a necessária revolução burguesa.
    Tal qual Lênin e Trotsky, Gramsci analisa a evolução do capitalismo Italiano com base no processo histórico precedente ao capitalismo e na história europeia contemporânea.
    Lênin, voltando a tradição marxista, periodiza a evolução do capitalismo, o que aparece com um momento necessário na construção de sua história para concluir que o capitalismo ingressava em nova fase:
  1. décadas de 1860 a 1870 - livre concorrência;
  2. A crise de 1873 - longo período de desenvolvimento de cartéis;
  3. A crise de 1900 a 1903 - os cartéis convertem-se  em uma das bases da vida de todo a economia. O capitalismo transforma-se em imperialismo.
    A monopolização da produção e do crédito implicava negação de propriedades fundamentais do capitalismo, e, assim, a etapa imperialista aparecia como fosse superior do capitalismo, como uma era de transição para uma nova ordem social.
    Assim, são as circunstâncias históricas (locais e internacionais) que determinam a especificidade dos processos de formação do capitalismo em diferentes nações. As especificidades, por sua vez, não são absolutas. Isto é, não se trata de entender cada país com um caso isolado. Na verdade, a identificação das circunstâncias históricas nos permitem reduzir a multiplicidade dos capitalismos nacionais e certos padrões de formação do capitalismo em diferentes nações. Por isso mesmo, é possível denominar capitalismo originário (Inglaterra), o mundo imerso na acumulação primitiva, o capitalismo atrasado (Alemanha, França, etc.), de etapa concorrencial do capitalismo de passado feudal, e capitalismo tardio (América Latina), já na etapa monopolista, de passado colonial.

Conclusão

    O autor demonstra a impossibilidade de construção de modelos de desenvolvimento econômico capazes de dar conta dos complexos movimentos  da constituição do capitalismo em diferentes países.
    Na verdade, assim como os modelos de desenvolvimento, uma teoria geral da constituição do capitalismo resultaria em uma construção abstrata, ineficaz para explicar seu objeto: a própria dinâmica da constituição do capitalismo.

   

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